Caras amigas e amigos,
Ao longo da última semana tive oportunidade de conversar com inúmeros habitantes de Morreira e Trandeiras. Nessas breves trocas de palavras fui confirmando algumas das ideias que tinha sobre as eleições, nomeadamente, sobre as eleições autárquicas, que são aquelas que mais diretamente nos dizem respeito e nas quais podemos ter, realmente, algo a decidir, porque elegemos aqueles que assumem as iniciativas e ações que, no imediato e localmente, nos afetam.
É, por isso, importante que todos tenham a capacidade e a liberdade para decidirem o seu voto. Muitos dizem que votam em função da pessoa, porque ‘conheço’, porque ‘é meu tio’, ‘primo’, ‘sobrinho’, ‘cunhado’, ‘amigo’… Outros, dizem votar em função do partido, “votei sempre neste, ou naquele”… Existem inúmeras razões para votar, claro está, e eu respeito perfeitamente qualquer decisão. Mas, à luz do que entendo ser a participação cívica através do voto, a que chamamos democracia, há algumas que não compreendo.
Não compreendo a estratégia do “medo” que muitas vezes se instala, através de rumores infundados (para ser meigo). Ao fazer-se isso está a condicionar-se a livre escolha das pessoas, não se permite que estas decidam livremente. É o jogo da desinformação, mas exaltam-se os valores de Abril.
Não compreendo a ideia de vitória ou derrota pessoal à volta das eleições. Acho que é, desculpem-me o termo, um conceito bacoco! Sinceramente, não sinto nada estas eleições como algo pessoal, nas eleições locais, são as freguesias e, no seguimento, as pessoas como comunidade, que têm a ganhar ou a perder.
Não consigo compreender a decisão do voto baseada na amizade, afinidade (ou pelo contrário inimizade) ou parentesco que possamos ter com o candidato, ou alguém da equipa candidata. As eleições não são um concurso de popularidade ou de quem tem mais amigos. Não estamos a competir para ver quem tem mais amigos, tal como no Facebook se vai vendo.
Não compreendo o seguidismo. O voto sempre em alguém deste ou daquele partido, porque sim! As eleições não são futebol, onde apoiamos sempre a mesma equipa. São decisões concretas sobre a nossa vida futura, como comunidade. Em Portugal há muitos carneiros que seguem o rebanho, que não têm pensamento próprio para decidirem e para o fazer pelas razões essenciais.
E não compreendo, também, votar-se nas eleições autárquicas pensando-se em eleições legislativas. Não é o governo de Portugal que está a ser sufragado. O que estamos a sufragar é o nosso futuro próximo, bem perto de nós.
Caros amigas e amigos, sei que na escrita tenho um defeito: não consigo ser conciso; mas peço-vos, continuem comigo um pouco mais.
Dia 29, decidimos o futuro imediato das nossas freguesias, para os próximos quatro anos. E é disto que se trata! É isto o essencial! É isto que tem de orientar a nossa decisão!
E a este nível importa ver com atenção os (três) projetos apresentados para Morreira e Trandeiras. Importa ver o que cada equipa se compromete fazer. Que iniciativas apresenta. Como fundamenta e prioriza as suas propostas. Porque depois da nossa decisão, iremos ter exatamente aquilo que escolhermos (conscientemente ou não), nos quatro anos seguintes. A nossa vida comunitária irá seguir o projeto que nós optarmos. Mas se escolhemos com “medo”, se escolhemos porque o candidato “até é um gajo porreiro”, ou “é meu primo” [ou qualquer outro parentesco], se escolhemos porque é do partido A ou B, escolhemos às cegas, porque nem olhamos para o projeto, nem para as propostas nele apresentadas. Assinamos um cheque em branco aos eleitos e, nos quatro anos seguintes, nem nos preocupamos em analisar o estrato bancário, a ver quanto foi levantado…
É muito típico falarmos de um assunto do qual pouco sabemos como se fossemos doutorados na matéria. Ou se algum assunto nos diz respeito, temos logo uma opinião sobre o mesmo, sem procurar mais informação. Ler os papéis que nos deixam em casa é uma chatice (porque têm muitas letras, outros nem por isso…). Pois é, mas se não lermos, se não procuramos saber mais, não estamos a decidir a partir do essencial.
E a este nível, caras amigas e amigos, perdoem-me a falsa modéstia, a escolha não é difícil. Não temos o melhor projeto de sempre, não temos o melhor projeto das autárquicas, mas temos, sem sombra de dúvida o melhor projeto para Morreira e Trandeiras. Um projeto bem estruturado, onde enunciamos prioridades e fundamentamos as propostas.
Analisem o que vos foi apresentando por outras listas candidatas. Vemos num, um conjunto de dez(!), sim não me enganei no número, dez iniciativas para os próximos quatro anos. Algumas destas iniciativas são completamente inócuas. E duas são, perdoem-me, risíveis à luz da situação atual, e completamente irrealizáveis, ou seja, estão lá para nunca saírem do papel.
Comparem com atenção os três programas eleitorais que vos foram propostos e, a partir destes, sustentem a vossa decisão e decidam em quem votar.
Não poderia deixar de falar na nova realidade que viveremos a partir de dia 29: a União de Freguesias. Concorde-se, ou não, com os objetivos e as linhas orientadoras da Reforma da Administração Local, concorde-se, ou não, com o novo mapa autárquico (e aqui teríamos muito para discutir, porque os responsáveis eleitos, que deveriam zelar pelos interesses de todos, demitiram-se das suas responsabilidades e deixaram que outros decidissem, quando poderiam eles participar da decisão), a verdade é que estamos agora agregados numa União de Freguesias e é em união que devemos decidir e pensar. Não há mais os interesses de Morreira ou os interesses de Trandeiras, há sim, os interesses conjuntos de Morreira e Trandeiras. Só em conjunto e em cooperação poderemos encarar esta nova realidade.
No manifesto eleitoral, de uma outra lista, vemos claramente um sentimento de antagonismo a respeito da união de freguesias. Lemos, nas palavras de dois atuais membros da Junta de Freguesia de Trandeiras, inúmeras referências aos interesses de Trandeiras, ao desenvolvimento de Trandeiras, ao futuro de Trandeiras… deveremos esperar o mesmo, dos membro dessa lista, mas que são de Morreira? Esses vão também defender intransigentemente os interesses, o desenvolvimento e o futuro da Morreira? Então como será o futuro, com uns a remar para um lado e outros para o outro?
Não caras amigas e amigos, o futuro tem agora de ser pensado em conjunto. Os interesses de Morreira tem de ser os interesses de Trandeiras, o desenvolvimento de Trandeiras é o desenvolvimento da Morreira e o futuro é o da União de Freguesias de Morreira e Trandeiras. Não significa isto que a identidade e a história de cada freguesia se perderá, como afirmam agora aqueles, que podendo, pouco ou nada fizeram, para promover essa identidade e essa história, no passado recente. Pelo contrário, a Junta eleita terá a responsabilidade de criar iniciativas e oportunidades para se celebrar e perpetuar a identidade e história de cada freguesia.
Por fim, permitam-me que termine comentando umas palavras contidas no manifesto eleitoral, atribuídas ao atual presidente da Junta de Trandeiras. Fala em “[a freguesia] continuar viva e dinâmica” e em “sempre honrou os seus compromissos e continuará a honrar”.
Quem viu com atenção os últimos quatro anos em Trandeiras, com certeza, não conhece a freguesia "viva e dinâmica" de que se fala – foram quatro anos perdidos, quatro anos de marasmo!
De resto, quanto a mim, um programa eleitoral é um compromisso, ou não será? Onde estão honrados os compromissos assumidos há quatro anos? Para os mais esquecidos eu recordo alguns: “Fazer uma cobertura e colocação de piso sintético no ringue desportivo”; “Terreno de herdeiros de Joaquim da Costa Ferreira para a construção de cerca de 100 lotes…”; “Instalar a Internet sem fios para que a população possa usufruir da mesma, a título gratuito, nas suas residências”; “Manter em funcionamento a sala de Internet aberta à população da freguesia, para quem não possui computador próprio”; “Manutenção e requalificação de Todas [e aqui a palavra-chave é todas] as ruas da freguesia”.
Como vemos é esta a forma de se honrar compromissos.
Tal como vos disse, dia 29 não sou eu, nem é esta equipa que me acompanha, que vai ganhar ou perder! Será Morreira e Trandeiras [como União de Freguesias] que ganhará ou perderá. A decisão é de todos vós! Foquem essa decisão no essencial! Votem no projeto que, a cada um de vós, perece dar mais garantias e se afigura como o melhor para o futuro de Morreira e Trandeiras, em especial, para as Pessoas das nossas freguesias.
Ricardo Lopes.